OS SETE – ANDRÉ VIANCO

os sete

Uma caravela portuguesa de cinco séculos é resgatada de um naufrágio no litoral brasileiro. Dentro dela, uma misteriosa caixa de prata esconde um segredo: sete cadáveres aprisionados, acusados de bruxaria. Apesar das advertências grafadas no objeto de prata, a equipe do Departamento de História da Universidade Soares de Porto Alegre decide violar a caixa, para estudar os corpos. Afinal, que perigo poderiam oferecer aqueles sete cadáveres? Nenhum. Mas depois que o primeiro deles acorda…(André Vianco)

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andre vianco
24/05/2013 – CULTURA – PAPO C Na foto o escritor ANDRÉ VIANCO. FOTO: LEANDRO FERREIRA/AAN

“Os Sete” foi o primeiro livro do André Vianco que li e me apaixonei pelos sua obra. Cada vampiro tem uma particularidade diferente e um poder especial. Depois de quinhentos anos eles têm que aprender a viver em um mundo moderno e fazem isso com muita rapidez. O grande problema dos vampiros é que sempre tem alguém contra eles.

Não é fácil deixar de ler Vianco. As suas narrações são sempre cheias de ações que prendem o leitor e fazem com que vamos buscar outro livro e nos apaixonar pelos personagens.

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André Vianco é um escritor brasileiro jovem e com um futuro promissor. Tomara que ele continue com a mesma velocidade com que nos presenteia suas histórias. Ele conseguiu encher Porto Alegre e Osasco de vampiros. Consegue fazer com que visualizemos Osasco.

A sua obra é vasta e vale a pena.

  1. Os sete
  2. Sétimo
  3. O Senhor da Chuva
  4. O turno da noite volume 1
  5. O turno da noite volume 2
  6. O turno da noite volume 3
  7. Saga o Vampiro-Rei:
  8. Bento –
  9. A bruxa Tereza –
  10. Cantarzo –
  11. As crônicas do fim do mundo:
  12. A noite maldita (interliga-se a saga “O vampiro-rei”)
  13. Livros independentes:
  14. A casa
  15. Sementes no gelo
  16. O caminho do poço das lágrimas
  17. O caso Laura

 

Enviem suas opiniões sobre as obras do André Vianco.

 

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SIGMUND FREUD

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Não posso imaginar que uma vida sem trabalho seja capaz de trazer qualquer espécie de conforto. A imaginação criadora e o trabalho para mim andam de mãos dadas; não retiro prazer de nenhuma outra coisa.

A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, pois liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo de responsabilidade.

VINHO

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Vinho (do grego antigo οἶνος, transl. oínos, através do latim vīnum, que tanto podem significar “vinho” como “videira”) é, genericamente, uma bebida alcoólica produzida por fermentação do sumo de uva. A fermentação das uvas é feita por vários tipos de leveduras que consomem os açúcares presentes nas uvas transformando-os em álcool. Dependendo do tipo de vinho, podem ser utilizadas grandes variedades de uvas e de leveduras.

O vinho possui uma longa história que remonta pelo menos a aproximadamente 6000 a. C., pensando-se que tenha tido origem nos atuais territórios da Geórgia, Turquia ou Irã. O deus grego Dioniso e o deus romano Baco representavam o vinho, e ainda hoje o vinho tem um papel central em cerimônias religiosas cristãs e judaicas como a Eucaristia e o Kidush. (Vinho)

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O vinho é a melhor bebida alcoólica que existe. Eu sempre digo que a gente não bebe um vinho, mas tem o prazer de degustar o “néctar dos deuses”. Prefiro vinhos tintos, embora há vinhos brancos e rosés muito bons. Acredito que o gosto do vinho mais a combinação do alimento propiciem o prazer certo dependendo do paladar de cada um. Há combinações clássicas como vinho e queijos e há as mais esdrúxulas possíveis dependendo do bebedor de vinhos. Há cursos de vinhos (para aprender a beber vinhos e aprecia-los), há enólogos, há mil e uma propaganda, empresas, vinículas.

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Meu prazer em beber um vinho está no momento – estou em casa, sozinho vendo um programa de TV, um show, ou com amigos, muitos ou poucos, comendo combinações ótimas. Gosto de vinho tinto seco. Tenho preferências? Claro. Meu preferido é o Corvo di Salaparutta, um tinto seco maravilhoso. Mas já fiz excursões por diversas uvas e texturas. Me perguntaram uma vez sobre vinhos suaves (doces) e o que se pode dizer: depende do gosto e do prazer de cada um!

vinho corvo

Importante:

– Um vinho é sempre uma companhia perfeita!

– Um vinho nunca deve ser deixado sozinho na mesa!

– Um vinho precisa estar protegido de alterações de temperatura, luz, movimentos bruscos!

– Um vinho é companhia para quando se está triste, quando se está alegre, quando se está só, quando se está acompanhado, quando está frio, quando está calor.

– Um vinho, desde a antiguidade é a melhor bebida

vinho tbr

Por isso e muito mais: Brindiamo, Brindiamo nei lieti calici (La Traviata, Giuseppe Verdi, 1853)

 

DESENCANTO

luz e sombra

Não sei se me vale

Apagar a luz e sonhar,

Ou cobrir os olhos com as mãos

E tentar buscar

N’algum corpo sólido,

insólito,

irreal,

inexistente talvez,

O álibi pro meu desencanto!

Não sei se me vale

Ocultar o que sinto,

Ocultar o que quero agora,

O que me falta

Pr’um descanso,

pr’um consolo,

pr’um encantamento,

relaxante,

enebriante,

Que me acalmará a fogueira que queima

Em alguma parte do meu corpo.

Queria mesmo saber,

Queria ouvir

um canto perdido no ar,

Sem apagar as luzes reais,

Sem acender luzes fantásticas,

Sem sonhar dormindo no leito,

Sem sonhar perdido pelas ruas…

Queria ser real, verdadeiro

No que digo, no que escrevo, no que falo.

E explorar melhor esse momento

E relatar-me e decifrar-me

Sem deixar de ser enigma,

Como todo poeta!

SABER SORRIR

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Então, ele se instalara naquela cadeira pequena, pequena e desconfortável, e sorria para o nada. Nada presente em tudo e tudo tão somente nada, mas ele precisava sorrir. Não era seu aniversário, mas ele precisava sorrir. O elevador parou e, de repente, entrou um velho com uma bengala e ele sorriu, ao que o velho não sorriu a ninguém – como ele dissera bom dia e ninguém achou que o dia era bom ou que ele merecia algo de bom, ou algo do dia ou algo simplesmente.

Novamente, o elevador parou e, ao abrir-se a porta, ele imaginou o futuro saindo, o passado passando, os sonhos, os medos, as revoltas, as culpas. Onde estariam seus irmãos, sua família? Não havia mais família, não havia mais irmãos, somente dor, culpa, desespero e aquele nada rondando e rondando e cada vez mais presente.

A porta se fechou e prendeu, dentro do cubículo móvel, mais três pessoas que, além do velho, nada tinham em comum, apesar do fato de não sorrirem, de não dizerem nada de bom, de não desejarem nada de bom – porque não sabiam o que era bom, não sabiam sorrir, não sabiam ser felizes. E ele ali, com um sorriso no rosto. Ele sabia sorrir, mas ainda assim era triste, ainda assim estava desesperado e sentia falta da família que ele um dia deixou, da família que ele não quis construir, do filho que abandonara na sua cidade. Talvez estivesse grande. Será que ele saberia sorrir? Será que seria “bom dia” para ele, ou será que seria só “dia” sem ser bom? Como estaria seu filho? Como estaria a mãe do seu filho? Sorrindo, talvez, com “bons dias” de outro amante, mais amante e ela mais amada…

O elevador parou novamente e saíram todos. O barulho da subida e das engrenagens lhe cortava o coração, mas ainda assim ele sorria. As lágrimas corriam pelo rosto e ele sorria e repetia para si mesmo que era feliz porque, apesar dos maus tratos, da fome, do salário baixo, das famílias – a que deixou e a que não fez -, da culpa, da raiva, do desespero, da impotência para agir, da solidão, de ninguém ao redor, do nada, do silêncio quebrado pelas cordas do elevador, ele sabia sorrir e era o que fazia. E quando, novamente a porta se abrisse, ele continuaria sorrindo e diria “bom dia” a quem quer que fosse, que tivesse o dia bom ou ruim, não importaria. Importava somente que ele sabia sorrir!

 

Maloca Querida, 1998:7,8.

PERFEIÇÃO

PERFEIÇÃO

Aos dezesseis anos

Eu acreditava

Que poderia mudar o mundo

Que eu tinha toda a razão

Que eu era perfeito!

 

Aos vinte e poucos anos

Eu acreditava

Que poderia mudar as pessoas

Que todas estavam erradas

E eu era perfeito!

 

Aos trinta e poucos anos

Eu acreditava

Que o mundo e eu éramos iguais

Que todos buscávamos algo.

Ninguém era perfeito!

 

Depois que cresci

Eu acreditava

Que o mundo queria me sufocar

Tudo era opressão, claustro, prisão…

E eu imperfeito!

 

Hoje, com pouco mais idade,

O mundo é perfeito

As pessoas são o que são e eu?

Eu sou perfeito

Com todas as minhas imperfeições!

OLAVO BILAC

Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista, contista, cronista e poeta brasileiro do período literário parnasiano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15 da instituição, cujo patrono é Gonçalves Dias

 

Há quem me julgue perdido, porque ando a ouvir estrelas. Só quem ama tem ouvido para ouvi-las e entende-las…

Eu vos direi “Amei para entendê-las, pois só quem ama pode ter ouvidos capaz de ouvir e entender as estrelas.”

COISAS QUE AMO, GOSTO, NÃO GOSTO E DETESTO

Há muitas coisas que amamos e não gostamos no nosso dia a dia. Acredito até que falte no português um verbo para a gente dizer de uma coisa que deixa de gostar mas que também não goste. Não gosto sempre significa que detestamos ou quase. E, às vezes, apenas não conhecemos para gostar, ou nos é indiferente.

Resolvi colocar dez coisas em cada categoria do que eu realmente amo, gosto, não gosto e detesto. Juro que foi muito difícil encontrar dez coisas que eu deteste. Eu amo e gosto demais das coisas para perder tempo detestando outras tantas.

Quem sabe você não entra na brincadeira e diga também as dez coisas que ama, gosta, não gosta e detesta?

COISAS QUE AMOCOISAS QUE GOSTOCOISAS QUE NÃO GOSTOCOISAS QUE DETESTO

O TÚMULO DA MÃE

cemitério

Ele ia ao túmulo da mãe todos os dias. Ele chegava sozinho, sempre com um chapéu que cobria o topo da cabeça, mas que deixava os longos cabelos loiros soltos por baixo. Envolvia o pescoço com um cachecol xadrez bege com preto nos dias frios para não “pegar friagem na garganta”. Ele olhava o túmulo simples naquele cemitério onde havia túmulos de mármore e ouro e de alvenaria simples, pintados de tinta comum – o da mãe dele era banco, sujo devido ao tempo que ninguém cuidava.

Ele gostava do cemitério. Gostava de estar ali dentro envolvido por construções que guardavam corpos. Gostava do silêncio. Na hora que ele ia, sempre pela manhã, antes de ir para o escritório, não havia quase ninguém no cemitério e ele podia sentir na carne o silêncio do lugar. Parecia que o silêncio causava-lhe um prurido gostoso. Um prazer por estar envolvido naquele clima entre os túmulos de mistério e medo. Ele tinha medo de estar ali dentro? Não, bobagem. Ele gostava de estar ali envolvido naquela aura de energia. Ele considerava que estava sempre rodeado de espíritos que ali vagavam tomando conta de seus corpos. Eles jamais iriam a qualquer lugar. Uma vez ou outra, ele se sentia observado.

Sua mãe estava ali e por isso mesmo ele ia toda manhã pedir a sua benção, conversar com ela, contar o que acontecera com ele no dia anterior. Ele precisava da mãe. Ele, durante muito tempo, vivera com a mãe e para a mãe e agora, com trinta e cinco anos, perdera a mãe, perdera o chão, perdera a vontade de viver. Será que era ela, a presença que sentia cada dia mais forte?

Ali, diante do túmulo da mãe ele rezava. Ele chorava. Ele sofria a perda. Ele perdera a companhia, perdera o único ente querido que conhecera. Não havia mais parentes. Por causa da mãe, ele não tinha amigos. Por causa da mãe, ele não se casara. Por causa dela ele estava ali todas as manhãs. Queria falar com ela. Agora que percebera que sua vida não tinha nenhum sentido ele queria falar com ela e reclamar com ela disso tudo. Ele queria que ela soubesse que ele estragara a própria vida por causa dela e ela foi embora. Ela foi egoísta e foi embora, deixando ele sozinho, sem ninguém. Ela era culpada dele ser infeliz. Ele estava ali todos os dias, para dizer a ela que a vida dele era muito ruim. Ele estava ali todos os dias para impedir que ela tivesse sossego.

Um dia, uma linda mulher loira apareceu perto do túmulo e deixou-se ser vista por ele. Era ela que o observava todos os dias. Ele rezava, ele chorava, ele olhava para a mulher loira que estava a uma distância que ele não podia calcular. Parecia ser vinte metros ou duzentos metros, parecia ser dez metros, parecia ser do outro lado do mundo. Ele olhava a loira, ele chorava pela mãe. Ele desejava a moça, ele odiava a mãe. Ele queria aquele frescor de primavera e queria que a mãe apodrecesse no mais rigoroso inverno. Ele olhava, ele sentia o cheiro, ele viu que ela o chamava. Ele deixou o túmulo da mãe e começou a caminhar em direção à mulher que estava a dez ou a mil metros de distância ele não sabia. Ele andava e mais envolvido pela aura de calor daquele ser ele estava.

Ela parou e esperou por ele. O tempo deixou de existir. Ele gastou dez segundos ou dez horas para chegar perto dela. Ela o olhou com olhos vermelhos profundos e sorriu. Ele sorriu também e a beijou nos lábios. O sol sumiu. O vento parou de passar entre os túmulos. O silêncio que ele gostava foi muito maior. Os espíritos que perambulavam por ali permaneceram imóveis, assustados.

No dia seguinte, o cachecol do rapaz foi encontrado junto com o chapéu muito bem colocado sobre o túmulo da sua mãe. O sol voltou a brilhar. O vento voltou a passar entre os túmulos. O silêncio continuou o mesmo. E ele? Ele nunca mais foi visto, nem no cemitério, nem no trabalho, nem em lugar algum.