D. CLEUSA (conto em cinco capítulos)

Meus amigos, inicio hoje um conto de assassinato de uma velha benzedeira. Uma mulher a quem todos amavam, mas que foi encontrada morta na sala onde benzia e praticava o bem.

Fora degolada! Quem poderia ter feito tamanha atrocidade? Fábio era uma pessoa que sempre ia à casa da velha se benzer, naquele dia ele afirma que saiu correndo do interior da casa um homem de preto. Quem seria esse homem de preto? Quem matou D. Cleusa?

benzedeira

Capítulo I

A sala era a mesma que ele conhecia de várias e várias vezes que ali estivera em busca de apoio espiritual. As paredes sujas e com rachaduras que iam do teto ao chão, alguma tinta descascando aqui ou ali. Não se importava o rapaz, sentado sempre em uma das cadeiras junto de várias pessoas que normalmente aguardavam.

Ele ia toda semana naquela casa e se sentava naquelas cadeiras e aguardava vários minutos, houve dias de esperar mais de uma hora. Mas não importava. A sua vida era demais atribulada para que ele aguentasse sem que a médium, D. Cleuza, o visse, sem que ela o rezasse e lhe dissesse que ele iria conseguir o que ele queria, sem que ela lhe dissesse aquilo que ele queria ouvir. Era como um vício estar ali toda semana, esperar naquelas cadeiras, ver outras pessoas que por ali andavam em busca de uma reza, de uma palavra de conforto. Ouvia o que D. Cleuza lhe dizia, algumas vezes chorava dentro do quarto onde a velha rezava em um altar misturado entre as religiões católica e umbandista. Saia sempre aliviado. Parecia que estava pronto pra enfrentar o mundo mais uma vez… Até a próxima semana.

Fábio era mais um dos milhões de brasileiros que precisam buscar um apoio espiritual em alguma benzedeira, mãe de santo, padres, enfim, alguma entidade religiosa que, na certa, vai lhe dizer tudo aquilo que ele sabe e que na realidade, só precisa que alguém lhe repita.

Não havia ninguém esperando naquele dia, e ele estava estranhando a demora em ser chamado a entrar no quarto mais sombrio que a casa toda. Já se passaram quase dez minutos desde que de lá saíra um homem vestido de negro com um chapéu que quase lhe escondia todo o rosto e que quase tropeçara nos pés de Fábio. Ele nunca tinha visto esse homem na casa de D. Cleuza em nenhuma das vezes que ali fora.

O silêncio da casa o incomodava. Não havia nem mesmo as crianças que de vez em quando corriam pela escada fazendo alguma algazarra e eram repreendidas pela filha de D. Cleuza.

Era sempre a mesma coisa alguém gritando com as crianças, alguém gritando com alguém. Alguém estava gritando.

Fábio deu um pulo da cadeira ao sentir, mais que ouvir, que alguém realmente gritava. Levantou-se de pronto e precipitou-se pela casa que já conhecia e ao chegar perto do cômodo, para ele sagrado, viu a porta aberta e Magali chorando e gritando, parada no vão da porta.

Ele chegou mais perto e antes que pudesse perguntar alguma coisa, teve de segurar a filha da médium que caia desmaiada em seus braços.

Ele a depositou no chão mesmo e voltou seus olhos para o cômodo e quase também ele gritou com a cena desesperadora que via. Levantou-se do chão, largando a moça desmaiada e entrou no cômodo. Alguém profanara o lugar sagrado de D. Cleuza, alguém profanara…  Alguém matara D. Cleuza! A imagem que ele tinha na sua frente era a coisa mais aterrorizante que ele já vira. A sala estava coberta de sangue, tudo estava repleto de sangue e a vítima, D. Cleuza, estava estirada no chão com uma mancha de sangue ao seu redor e um corte profundo na garganta. O cabelo branco da velha se misturava no sangue ainda quente que escorria agora tímido, pelo chão sujo de restos de vela e incenso. Ele não podia acreditar no que via. Estava perplexo demais para pensar.

Ainda assim, procurou com os olhos Magali e a mocinha já acordava do susto. Ele a agarrou pela mão e lhe disse enérgico como jamais fora.

_ Precisamos chamar a polícia.

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