VOAR ALTO

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Talvez eu seja

O mais ínfimo dos mortais,

E tenha a mente

Assim em desordem,

Por não conseguir concatenar idéias,

Por não conseguir superar barreiras,

Por me perder em coisas fúteis,

Por não me deixar crescer,

Por não me deixar evoluir,

Por me atar a terra

E não me permitir alçar vôos…

Talvez não consiga,

Nem em outras existências futuras,

Não ouvir mais a razão, mudar o coração,

Ter olhos mais abertos,

Aceitar melhor meus desejos,

Saltar sobre os gradis que me prendem,

Libertar-me das correntes racionais,

Voando alto, no mais puro sonho,

Sem pensar que sou o que sou:

– Subespécie dos menores racionais -,

Procurando uma saída e cada vez mais

Me enterrando na sordidez

De um modelo pré-fabricado

Que não me agrada,

Onde não encontro nem mesmo paz…

Talvez eu esteja aqui, apenas por estar,

Não tenha que mudar nada,

Não tenha que tentar nada…

Mas a necessidade de voar alto, sem poder,

Me faz mais mal que o peso do chão.

Se estou aqui, não posso jamais

Estar por estar… estar por si só…

Se estou aqui, minha inconstância,

Minha luta interior, meus anseios,

São provas de que o ínfimo pode ser máximo,

E que talvez, esteja no caminho errado,

Mas possa ainda mudar, me recompor…

Refazer-me?… Haverá tempo?

 

Coisas da Noite, poesias, 1997.

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