AMIZADE SINCERA

 

amizade-sincera

Belo como a natureza,

imenso como o infinito,

simples como a vida,

fugás como a chama de uma vela,

O amor é prisão aberta!

 

Grande como o pensamento

Que se esvai na noite de silêncio

Foi nossa “amizade sincera”!

Tão sincera que se acabou,

que se perdeu

E que trazemos, talvez somente eu,

Risos do passado, lágrimas d’outros momentos…

ESCREVER

escrever

Escrever, Talvez única força

Que me impulsione a viver

Talvez única razão

Pra nesta existência

Eu sofrer tanto.

 

Escrever

Quendo me faltarem

Palavras, pensamentos, dor,

Talvez não haja mais nada

Motivo nenhum

Pra continuar…

 

Escrever,

Dom divino

Que me foi dado sempre

Onde posso jogar minhas mágoas,

Onde posso buscar energia

Pra não me perder…

 

Escrever…

Escrevo sempre com a alma

Busco sempre nas minhas frases

O alento que me falta

A descarga da dor me sobra

O incontestável!

 

Escrever!

Quero escrever até findarem

Meus dias, meu sofrimento, minha dor

Que são apenas o que me resta

Já que a esperança, a alegria

Há muito se acabaram…

 

Escrever…

Se alguém um dia me ler,

Peço que não sofra tanto,

Peço que acerte o caminho que errei,

sim, peço que faça da sua, alguma coisa viva,

Observando minha vida, tão cheia de morte!

PASÁRGADA

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Talvez Pasárgada

Não satisfaça mais meu ego,

Talvez a utopia,

Não complete mais meus anseios…

 

Anseio por coisas reais,

palpáveis,

estruturadas,

Edificadas na rocha,

Não preciso mais de castelos no ar…

 

Talvez Pasárgada…

Não necessito mais ir-me embora,

Não quero mais

Ir atrás de quimera alguma…

 

Quero a realidade

Por mais dura e fria,

Quero a alegria de estar vivo,

A tristeza de lutas incertas,

A emoção constante do dia a dia…

 

Não quero a incerteza

De ter que escolher

A mulher que quero

E a cama do rei.

Não quero mais ir embora…

Pasárgada não será completa,

Pasárgada não será perfeita:

– Ficará sem mim!

OVERDOSE

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Quero morrer de overdose de ti!

Quero ter tua energia circulando-me nas veias,

Acelerando meu coração,

Ofuscando-me a visão,

O cérebro quase parando de tanto prazer.

 

Quero uma overdose de ti,

Um momento dos mais imensos de carinho,

De beijos e abraços,

De todo corpo, toda mente, toda semente,

Quero-te inteira em mim,

Enebriando-me matéria e não-matéria,

Fundindo tudo que possa ter contato,

Incorporando todos os sentidos,

Ignorando tudo ao redor,

Buscando o Nirvana da existência,

Encontrando paz onde não houver,

Quero morrer neste momento,

De overdose de ti.

HOUVE UM TEMPO

beijaco

Houve um tempo em nossas vidas

Em que o sol brilhava mais forte,

Não havia nuvens a espreitar cada ato,

Não havia trevas, não havia dor…

 

Houve um tempo em nossas vidas

Que o amor falava mais forte

E tudo era perfeito e maravilhoso,

Havia o encontro de nossas almas

De nossos corpos, de nossas bocas…

 

Houve um tempo em nossas vidas

Onde não existia nada mais que nós,

Não existia música que não a nossa,

Som que não nossos suspiros e juras secretas,

Necessidade que não um do outro…

 

Houve um tempo em nossas vidas

Que passou como tudo passa,

Que acabou porque acabou o desejo (?),

Que hoje na memória ainda machuca

Lembrar que estamos separados,

– eu ainda te amo –

Houve um tempo em nossas vidas…

Houve vida naquele tempo…

 

PENSAMENTOS

pensamentos

No alto da colina,

Um vulto azul se descortina:

– É o céu que desaparece

Nas sombras de uma noite próxima.

O sol morreu há muito de cima

Dos mais altos morros, escurece…

 

Eu encontro no mar

Um sonho perdido a voar

Por entre peixes multicores…

A lua reflete-se nas águas,

Meu rosto talvez, transpire mágoas

De dias passados, meus amores…

 

Tenho sonhos, talvez…

Que me falhe a última vez!

Tenho sonhos, tenho-os tantos

E conservo meus tristes enleios,

Quero tê-los, vejo que não sei-os,

Mas amo: – tantos existem. Quantos?

 

Sei que a lua não me olha,

E que há árvore que se desfolha

Passam o seu tempo na sua vida…

E os meus galhos crescem, apodrecem,

Não há mais luz nos olhos, fenecem

Corpo e alma recordando mi’a ferida.

 

A dor no peito, a loucura

Tudo faz-me tornar impura

A vida que desejei não ter…

Fito-me no balanço do vento,

Sinto-me frio, exposto ao relento,

Querendo, lutando por viver.

ETERNO SOLITÁRIO

solitario

Sou o eterno solitário

Que vaga nas ruas desertas

Procurando paz.

 

Sou o eterno solitário

E procuro matar

minha sede,

minha fome,

minha ânsia

De encontrar a liberdade,

a justiça verdadeira…

 

A voz cala-me no peito,

As lágrimas secam-se em seu ventre.

não posso falar,

não devo chorar…

Serei eu o único solitário?

INDEFINIDAMENTE

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Quando você

Penetrar na luz que me escapa dos olhos,

Na fumaça branca do meu quarto

 

E se abrir

Na mais singela canção de paz,

Com os sonhos do seu dia,

Na noite que se inicia

 

Verá então, que

Não há mais pedras a pisar

E você naufragará no oceano azul

Indefinidamente…

A VIDA PASSA

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O sol se esconde de trás das montanhas,

A tarde que cai é triste, até medonha…

 

O vento da noite agitando meus cabelos,

Me trás desejos que não posso tê-los.

 

Me faz cantigas de ninar, de sonhar,

Me lembra o som doce do mar…

 

Na terra que racha aos meus pés,

Na sombra que me faz ter fé

 

No dia seguinte, na aurora atual,

No encontro de frases, num ritual

 

De anseios e de desejos

A vida me passa e me cobre de beijos…

IGUAL

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Igual?

Não sei!

O mundo passa,

O sonho agita,

O futuro é sombrio,

Mas há esperança ainda…

 

Os dias são os mesmos

E as pessoas são as mesmas

E os atos são os mesmos,

Tudo enfim!

E nós deslizando no turbilhão do tempo…

 

O mundo é o mesmo

O sonho passa

O futuro agita

A esperança… Tudo tão sombrio.

 

Não há o que dizer,

Não há o que fazer,

Não há talvez, mais nada!…

 

O burburinho de vida ao longe,

Vida que tento segurar,

E que me vai tão longe.

 

Tudo igual!

Não sei.

O que acontecerá no futuro?

O que virá a ser o mundo?

Onde estarei eu?