TOM JOBIM

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O dinheiro não é tudo. Não se esqueça também do ouro, dos diamantes, da platina e das propriedades.

Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz.

Assim como o brasileiro foi educado para perder, o americano foi educado para ganhar.

Esse teu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas que eu não posso acreditar…
Doce é sonhar, é pensar que você,
Gosta de mim, como eu de você…
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração de quem sonhou,
Sonhou demais…
Ah, se eu pudesse entender,
O que dizem os seus olhos.

AMIZADE SINCERA

 

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Belo como a natureza,

imenso como o infinito,

simples como a vida,

fugás como a chama de uma vela,

O amor é prisão aberta!

 

Grande como o pensamento

Que se esvai na noite de silêncio

Foi nossa “amizade sincera”!

Tão sincera que se acabou,

que se perdeu

E que trazemos, talvez somente eu,

Risos do passado, lágrimas d’outros momentos…

RESENHA – VEREDAS – MÁRCIO VERDOLIN HUDSON

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VEREDA foi o segundo livro que li em 2017. Confesso que me apaixonei pela trama e pelo português rebuscado do autor. É uma história simples e ao mesmo tempo bastante complexa quando vimos o lado psicológico das pessoas envolvidas na trama. Não dá para parar de ler o livro.

O AUTOR: Márcio Verdolin Hudson é formado pela Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete – MG, cidade onde nasceu. Ali foi cronista e radialista pela Rádio Carijós. Concursado, foi admitido no Banco do Brasil, no qual exerceu cargos em Araçuaí, Conselheiro Lafaiete, Itabirito, Brasília e Belo Horizonte até aposentar-se. Exerceu a advocacia e atualmente dedica-se somente à literatura. Reside em Belo Horizonte. Ocupa a cadeira número 12 da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, cujo patrono é o romancista Bernardo Guimarães.

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RESENHA: A história se desenrola em 96 capítulos ora grandes, ora pequenos onde o autor nos conta uma passagem da vida de Lima. Lima é um advogado que mora em uma cidade grande, casado e pai de um filho. Em dado momento da vida, Lima resolve voltar à cidade do interior onde anos atrás o pai começara a construção de uma estrada. A estrada na realidade desde o seu nascimento era fadada ao insucesso devido à localização junto a uma encosta de uma serra.

Lima, certo dia resolvera percorrer esse início da estrada que o pai abrira há trinta anos. Iniciou o caminhada a pé observando a precariedade da estrada. Habitações rurais pela estrada chamavam-lhe a atenção. Em dado momento, avistou uma casa simples, com plantações de milho e feijão e do outro lado um pasto com algum gado e um cavalo. Com sede, Lima resolveu ir até à casa e foi interceptado por uma cabra que o derrubou no chão cheio de lama. O dono da casa solícito veio-lhe ao encontro e ofereceu ajuda. Com as roupas sujas e ainda com sede, aceitou o convite do camponês para ir até sua casa. Augusto, o dono da casa, morava com a esposa, a sogra, uma filha, uma neta e um filho adotivo. O advogado Lima aceitou tomar um banho na casa do camponês enquanto a filha, Graça, lavava e passava a roupa suja de barro pela queda. Envolvido pela gentileza da família, Lima fica no barraco e, depois de mandar buscar seus pertences no hotel onde estava hospedado, acaba permanecendo por mais de trinta dias. Nesse período conhece muitas pessoas do vilarejo próximo e acaba sendo criado um mistério a respeito da época da estada do seu pai no local. Alguns disseram que o Empreiteiro Lima, pai do advogado Lima, deixara para trás uma raminha, uma coisa qualquer que, a princípio Lima não quis saber, mas não saía de sua cabeça. A tentativa de descobrir qual o elo que une a vida passada de seu pai àquele povoado, faz com que ele passe a viver de uma maneira totalmente diferente do seu cotidiano.

A história é recheada de citações de frases em latim de poetas e oradores romanos e alusão aos deuses da mitologia. Apesar de ser um povo do interior, a maioria entende desse assunto, de arte, literatura e sabem como conversar com o advogado ou com um velho reitor aposentado que resolvera morar também no vilarejo.

A trama se desenvolve de uma forma espetacular. O português rebuscado, tendendo a um período anterior à nossa literatura moderna, não impede que o leitor se delicie com esse livro.

Vale a pena ler: VEREDA – MÁRCIO VERDOLIN HUDSON.

Editora O Lutador – Belo Horizonte.

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ESCREVER

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Escrever, Talvez única força

Que me impulsione a viver

Talvez única razão

Pra nesta existência

Eu sofrer tanto.

 

Escrever

Quendo me faltarem

Palavras, pensamentos, dor,

Talvez não haja mais nada

Motivo nenhum

Pra continuar…

 

Escrever,

Dom divino

Que me foi dado sempre

Onde posso jogar minhas mágoas,

Onde posso buscar energia

Pra não me perder…

 

Escrever…

Escrevo sempre com a alma

Busco sempre nas minhas frases

O alento que me falta

A descarga da dor me sobra

O incontestável!

 

Escrever!

Quero escrever até findarem

Meus dias, meu sofrimento, minha dor

Que são apenas o que me resta

Já que a esperança, a alegria

Há muito se acabaram…

 

Escrever…

Se alguém um dia me ler,

Peço que não sofra tanto,

Peço que acerte o caminho que errei,

sim, peço que faça da sua, alguma coisa viva,

Observando minha vida, tão cheia de morte!

VIAGENS VIII

 

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É do conhecimento do todos que eu sempre adorei viajar de avião. Aliás prefiro tanto o avião ao carro que demorei bastante para tirar carteira de motorista, não por incapacidade, mas por desinteresse no objetivo principal da vida de todos os adolescentes: um carro.

Ao viajar pelas estradas sempre dizia, parafraseando todo mundo, que preferia um Mercedes com motorista, o problema são os outros quarenta e tantos lugares. Mas como eu sempre dormia, não fazia diferença.

Claro que naquela viagem de avião que eu fazia do Rio de Janeiro para Juiz de Fora, eu não dormi. Olhar o mundo por cima é muito bom. Passar pelas nuvens, subir mais alto que todos os pássaros, sensacional.

Vinha eu então, na minha viagem aérea, louco para chegar a Juiz de Fora – a gente sempre está louco para chegar -, passando por lugares lindos e iluminados em um voo tranquilo e ótimo, quando avistamos Juiz de Fora.

O avião foi perdendo altura, perdendo altura e os prédios da cidade aumentando de tamanho. Que experiência maravilhosa ver aquilo tudo por cima. Eu podia sentir a cidade respirar.

O avião inclinou-se mais para descer e voando rápido demais parecia uma flecha que era arremessada contra a avenida Barão do Rio Branco em pleno meio dia. Não havia como pará-lo. Não havia mais o que fazer. A gente iria se espatifar no asfalto perto da rua São Sebastião. Eu senti a cidade parar de respirar de medo.

Eu retesado no assento, esperava o derradeiro final. Olhei pela janela e me vi – de ônibus -, chegando a Belo Horizonte. A visão das lojas da Avenida Raja Gabaglia me fez abandonar o sonho. Localizei-me no banco do veículo e, com medo de ter gritado, continuei olhando pela janela, descontraindo cada músculo.

PASÁRGADA

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Talvez Pasárgada

Não satisfaça mais meu ego,

Talvez a utopia,

Não complete mais meus anseios…

 

Anseio por coisas reais,

palpáveis,

estruturadas,

Edificadas na rocha,

Não preciso mais de castelos no ar…

 

Talvez Pasárgada…

Não necessito mais ir-me embora,

Não quero mais

Ir atrás de quimera alguma…

 

Quero a realidade

Por mais dura e fria,

Quero a alegria de estar vivo,

A tristeza de lutas incertas,

A emoção constante do dia a dia…

 

Não quero a incerteza

De ter que escolher

A mulher que quero

E a cama do rei.

Não quero mais ir embora…

Pasárgada não será completa,

Pasárgada não será perfeita:

– Ficará sem mim!

RESENHA – HORROR ADENTRO – OSCAR NESTAREZ

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HORROR ADENTRO foi o primeiro livro que li em 2017 e estou encantado com os contos do Nestarez. Não dá vontade de parar de ler. São treze contos de horror onde o autor prende a atenção e muitas vezes deixa que nossa imaginação complete a cena horrível que se segue.

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O autor: Oscar Nestarez é mestre em literatura pela PUC-SP e especialista em História de Arte pela FAAP. Como pesquisador de ficção de horror, publicou em 2013. “Poe e Lovecraft: um ensaio sobre o medo na literatura” (Livrus). Como ficcionista lançou, no ano seguinte a antologia “Sexorcista e outros relatos insólitos”, pela mesma editora.

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Resenha: O primeiro conto, OBLAÇÂO, é uma história de amor e dedicação de um amante pelo outro, procurando um ajudar o outro a vencer barreiras de passado e medo. O fim é fantástico.

No segundo, MORRER DE LINDA, Tabytha era uma mulher desprovida de beleza e até certo ponto conformada com isso. Fazia vida à noite e sabia que havia outras mulheres mais bonitas e dotadas que ela. Uma noite aparece um homem “alto e envergado, de pele claríssima, quase transparente… terno bem cortado e… óculos escuros?” que quer ficar com ela naquela noite e lhe oferece toda a beleza do mundo.

HORROR ADENTRO, nome do livro, é o terceiro conto e o personagem vai a Armênia. O rapaz, no dia seguinte do casamento do amigo, ainda de ressaca do muito que bebera, se lembra do clube de jazz onde foram depois da cerimônia. Mais importante ainda se lembra da figura furtiva que vira no clube, vestida de vermelho, “uma silhueta cheia de curvas envolta em vermelho, a dançar lentamente”… À tarde, resolveu olhar a cidade pelo parapeito do quarto onde estava e viu a figura vestida de vermelho a dezenas de metros do outro lado da praça. Como não teria muito tempo para conhecer a mulher, precipitou-se para rua e saiu seguindo o que pensara seria o amor de sua vida.

SOMBRA ANTIGA é um conto onde rapidamente tudo passa de uma brincadeira de oito rapazes em uma fazenda a uma situação de horror que o autor também nos deixa criar na imaginação o que de fato aconteceu naquele lugar. Ótimo!

OROBORO e MAMÃE NÃO ESTÁ são, sem dúvida, os melhores contos do livro, embora não possa dizer que haja um menos interessante que o outro.

Vale a pena ler HORROR ADENTRO de OSCAR NESTAREZ.

EDITORA KAZUÁ (www.editorakazua.com.br)

VIAGEM VI

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Com o “Filósofo” a história foi diferente, mas em semelhante viagem: Projeto Rondon no norte de Minas Gerais.

Ele contou que depois de viajarem algumas horas, já com alguns tijolos expirados – devido à poeira na estrada -, a dor nas costas e quase um mal humor, ao que ele não era dado, conseguiu dormir um pouco;

Sonhou com alguma coisa, não sabe mais o que, nem onde e a jardineira comia pó pelo sertão. O calor insuportável fazia com que todos do veículo se sentissem um pouco nauseados e cansados de tanto tempo perdido no caminho.

Talvez a vida não seja tão dura para os habitantes daquela região que só conhecem aquele tipo de vida…

Sol do norte de Minas, sacolejar do ônibus, mal estar, sonolência…

O “Filo” foi acordado com a parada do veículo no meio do nada. Olhou para fora  e viu um posto de gasolina, nenhuma casa, talvez nenhum ser humano. Procurou, não viu, esperou  e, de repente, viu entrar pelo ônibus o auxiliar de viagem com uma pá cheia de terra.

Ele ainda pensou: Ele está entrando com uma pá de terra, não está saindo. Que isso?

Levantou-se ante a passagem do rapaz e acompanhou-o com os olhos. No penúltimo banco, a mãe de uma criança de mais ou menos sete anos de idade se levantou e o trocador jogou a terra em cima do vomitado da criança que aí, fedia.

Olhou pra frente, empunhou a pá como uma espingarda e gritou:

– Aí, “motô”, pode continuar a “viagem”!

OVERDOSE

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Quero morrer de overdose de ti!

Quero ter tua energia circulando-me nas veias,

Acelerando meu coração,

Ofuscando-me a visão,

O cérebro quase parando de tanto prazer.

 

Quero uma overdose de ti,

Um momento dos mais imensos de carinho,

De beijos e abraços,

De todo corpo, toda mente, toda semente,

Quero-te inteira em mim,

Enebriando-me matéria e não-matéria,

Fundindo tudo que possa ter contato,

Incorporando todos os sentidos,

Ignorando tudo ao redor,

Buscando o Nirvana da existência,

Encontrando paz onde não houver,

Quero morrer neste momento,

De overdose de ti.